11 de agosto de 2008
DJ's em navios
Alexandre Savino entrevista exclusivamente para o Skol Beats School o DJ Ludix, que vem bombando os mares de todo o Brasil.
Savino: Existem muitos DJ’s que ganham a vida tocando em navios? Como é esse mercado de trabalho?
Ludix: DJ’s brasileiros não são muitos. O número de DJ’s está limitado à quantidade de navios que vêm passar a temporada na costa brasileira. Geralmente os contratos são para o verão, podendo haver uma renovação, prolongando a residência no navio, fazendo a tour internacional. É um mercado em expansão, o número de navios no Brasil aumenta a cada ano.
S: Quanto tempo você já chegou a ficar trabalhando em alto-mar?
L: Três meses, no navio Zenith. Diga-se de passagem, foi eleito pelos passageiros o navio da CVC mais animado. Foi de novembro de 2007 até fevereiro de 2008. Tenho um amigo percussionista que está há oito anos trabalhando em navio, passando dois meses em casa de férias e dez meses direto no navio, rodando o mundo.
S: E o repertório? Conta para a gente as dificuldades que você encontra para agradar a todos os passageiros, levando em conta as diferentes culturas entre eles.
L: Realmente é um desafio. O repertório tem que ser feito com meses de antecedência, já pensando no que irá bombar e ser lançado no verão. Para isso, é preciso estar atento a todos os ritmos, sem exceção, ouvindo desde o novo CD da dupla Victor e Léo até a mais recente track do Armin Van Buren. Para agradar a todos, não tem outra saída: você precisa ter uma rádio em sua case. Pediu, tocou.
S: Como você organiza suas músicas diante de todos esses estilos tocados no navio?
L: Eu as organizo em um HD externo e uso meu laptop para executar as músicas, minha case é 100% digital. Só para ter uma idéia, eu ainda não fechei o repertório desse anos. Estamos em agosto, e minha case está com 195Gb, passando das 40.000 músicas. Imagine como seria a busca de uma música se não fosse digitalizado...
S: Ficar atualizado com a quantidade de gêneros a serem tocados é outra dificuldade? Como você faz?
L: Se você for pensar que qualquer música pode ser agregada, fica fácil atualizar o repertório. O problema mesmo seria refinar essas músicas, e é aí que você tem que ficar ligado nas tendências do próximo verão, para decidir e selecionar, entre tantas músicas, quais serão tocadas, em um espaço de três a sete dias, que é o tempo que os passageiros ficam em um cruzeiro aqui na costa brasileira. Além disso, comprar CD’s originais de todos esses artistas e ritmos fica muito caro com o preço do CD aqui no Brasil. É praticamente impossível. Eu compro os mais usados e digitalizo, compro também bastante música solta em sites de download. O resto é download por meio de software. Claro, os amigos também sempre dão uma força.
S: E como você decide quais irão entrar para esse repertório principal?
L: Ouvindo rádio na internet. Nela, consigo ouvir rádios regionais, internacionais, além de, é claro, sites (MySpace Música / Billboard / DJ Mag) e revistas (DJ Mag / Essential / 180) que falam sobre música. Por meio desse tipo de mídia, é possível estar bem informado e ter uma noção do que está nos top hits e quem ainda está por vir. Sem contar os artistas “carimbados”, que todo mundo gosta.
S: Dos roteiros que você já fez em um navio, qual é inesquecível?
L: Bom, aqui no Brasil existem praias paradisíacas, é difícil escolher uma. Mas eu me lembro de um momento com perfeição: em uma tarde, em Punta del Este (Uruguai), estávamos de partida, e eu estava começando um set de progressive trance, no deck da piscina. Rolava um pôr-do-sol com uma cor meio cobre, a galera estava na mesma sintonia, foi perfeito!
S: Como é a balada no navio? Você toda tudo todos os dias?
L: Depende muito do navio e da produção dele para cada roteiro. No caso do Zenith, no geral, cada noite tem um tema que é seguido nas primeiras horas da noite. Depois, não tem jeito, a galera pede música eletrônica mesmo, todas as vertentes, desde o house pop até o psytrance mais underground.
S: Por que decidiu fazer o curso de produção de música eletrônica?
L: Meu primeiro contato com produção veio antes da vontade de ser DJ. Já gostava de música eletrônica, quando um amigo me apresentou o Fruit Loops. Eu não tinha a mínima noção, pensei em comprar uns equipamentos para poder fazer música, mas sem saber muita coisa acabei comprando equipamento de DJ. Para isso, na época, vendi até meu carro. Me joguei, corri atrás, aprendi algumas técnicas... Quando vi, já estava mixando sem qualquer problema. Mas ainda não era o que eu queria, minha vontade era de produzir minhas músicas. Paralelamente, fui levando a carreira de DJ, tocando em algumas PVT’s, clubs, até aparecer a oportunidade do navio. Nele, as idéias de produção aparecem demais, afinal, você fica meio que confinado com pelo menos uns 20 músicos que formam as bandas que compõem o staff. Nessa necessidade de produzir um som de qualidade, decidi procurar o curso de produção eletrônica na Dub. Estou completando um mês de curso e já comecei minhas produções. |
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